Grupo criminoso recrutava adolescentes para atos de violência e automutilação em MS, investiga polícia
Uma organização formada principalmente por adolescentes recrutava meninas em situação de vulnerabilidade para participar de desafios de extrema violência em plataformas como Discord e Telegram.
A informação foi divulgada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul durante coletiva realizada nesta quinta-feira (6), após uma operação que investiga a morte de uma adolescente de 13 anos, em Naviraí.
Segundo a delegada Anne Karine, da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), as vítimas eram tratadas como ‘escravas’ dentro do grupo e obrigadas a cumprir tarefas para ganhar reconhecimento entre os integrantes.
Entre os desafios impostos estavam automutilações e até a obrigação de tatuar no próprio corpo os nomes dos chamados ‘donos’ do grupo.
Conforme a investigação, quanto mais violentas eram as tarefas cumpridas, maior era o prestígio conquistado pelas vítimas dentro da organização.
A Polícia Civil cumpriu seis mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Pará, Ceará e Minas Gerais.
Cinco adolescentes foram apreendidos e um jovem de 18 anos foi preso. Um dos investigados mora em Aquidauana.
De acordo com a delegada, os envolvidos deverão responder por organização criminosa, lesão corporal, homicídio por coação e maus-tratos a animais.
Em um dos casos apurados, uma adolescente recebeu a ordem de matar o próprio gato. Como não conseguiu cumprir a tarefa, teria sido induzida a tirar a própria vida.
Durante a operação, os policiais também apreenderam símbolos de apologia ao neonazismo, armas e materiais relacionados à exploração sexual infantil.
As investigações apontam que o grupo utilizava discursos de ódio, misoginia e conteúdos extremistas para radicalizar adolescentes nas plataformas digitais.
A vítima, de 13 anos, foi encontrada morta na varanda da casa onde morava, em Naviraí, no dia 22 de julho.
Segundo a investigação, ela participou de uma transmissão ao vivo que durou cerca de 45 minutos, na qual foi coagida pelos integrantes do grupo a cometer suicídio.
A Polícia Civil informou que as investigações continuam para identificar outros participantes e possíveis vítimas da organização criminosa.




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