Diminuição dos homicídios no campo, porém crescimento dos conflitos agrários no Brasil
De acordo com a Agência Brasil, o Brasil reportou seis assassinatos associados a conflitos agrários entre janeiro e junho de 2026. Em contraste, 27 mortes foram registradas no mesmo intervalo em 2025. Apesar da redução nas fatalidades, o número de conflitos subiu de 798 para 841 casos.
O estado do Maranhão destacou-se no levantamento, registrando 156 ocorrências, seguido de Pará (90), Bahia (85), Rondônia (63) e Amazonas (63). A maioria dos incidentes deste ano está vinculada a disputas de terra, que totalizaram 711 casos, além de 100 conflitos relacionados à água e 30 ocorrências de trabalho escravo rural.
Dentro dos conflitos por terra, os casos de violência ascenderam de 584 para 663, enquanto os registros de resistência diminuíram de 66 para 48. A contaminação por agrotóxicos foi a forma de violência mais prevalente, com 169 registros, um aumento em relação às 98 ocorrências do primeiro semestre de 2025. Os conflitos relacionados à água também mostraram crescimento, passando de 47 para 100 ocorrências, com Pará, Minas Gerais, Amazonas e Mato Grosso concentrando os maiores números.
Os casos de trabalho escravo rural, por outro lado, apresentaram uma diminuição, com 30 registros em 2026, em comparação aos 101 do ano anterior. O número de trabalhadores afetados reduziu de 842 para 355. Segundo a CPT, apesar da queda no número de assassinatos, a violência no campo permanece uma triste realidade. Entre as seis mortes registradas neste ano, destacam-se os assassinatos de três posseiras em Lábrea (AM), além de dois indígenas em Roraima e Mato Grosso do Sul, e um trabalhador rural sem-terra.
A CPT também notou um aumento nos casos de violência contra indivíduos envolvidos em conflitos agrários, que passaram de 418 para 588. As principais vítimas incluem povos indígenas, trabalhadores sem-terra, posseiros, seringueiros e quilombolas. Além dos conflitos, 284 manifestações foram registradas no primeiro semestre de 2026, em comparação às 253 do mesmo período de 2025. As principais demandas incluem a demarcação de terras indígenas, combate ao uso de agrotóxicos, questões de mineração, privatização das águas e melhores condições de trabalho.




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