Navio naufragado durante 2ª Guerra Mundial foi encontrado por mergulhadores partido ao meio no litoral de SP
Um grupo de mergulhadores identificou os destroços do navio Tutoya, que naufragou após ser torpedeado por um submarino alemão durante a Segunda Guerra Mundial, no litoral de São Paulo. Durante o mergulho, foi possível constatar que a embarcação está partida ao meio, o que confirma que o navio afundou já nessa condição.
Os destroços estão localizados entre os municípios de Peruíbe e Iguape. O mesmo grupo já havia participado da identificação de outros naufrágios na região, próximos à Ilha da Queimada Grande, entre eles os navios Araponxga e Irmãos Gomes.
Segundo a mergulhadora e pesquisadora de naufrágios Tatiana Mello, a experiência foi como mergulhar em um momento congelado da história. Para ela, os navios naufragados funcionam como verdadeiras cápsulas do tempo, preservando informações sobre a tecnologia, os hábitos e a navegação da época. O mergulhador e pesquisador Maurício Carvalho também destaca que o Brasil possui um grande potencial para esse tipo de estudo, já que há inúmeros naufrágios ao longo da costa.
A pesquisa para localizar o Tutoya foi feita a partir de dados do Sistema de Informação de Naufrágios. Embora ainda não tivesse sido identificado oficialmente, o ponto do naufrágio já era conhecido por moradores da região, especialmente por pescadores esportivos que frequentam a área. As coordenadas foram repassadas à equipe por um marinheiro que conhecia o local.
Antes do mergulho, os pesquisadores realizaram o mapeamento da área para avaliar a profundidade e planejar a operação com segurança, levando em conta o tempo de permanência no fundo do mar e o consumo de oxigênio. O navio foi localizado com auxílio de sonar, equipamento que utiliza ondas sonoras para identificar estruturas submersas. No primeiro mergulho, a equipe conseguiu acessar a região da praça de máquinas, motores, guindastes de carga e leme, coletando medidas que confirmaram a identidade da embarcação.
Em uma segunda descida, os mergulhadores perceberam que o navio desaparecia parcialmente sob a areia, o que levantou a suspeita de que estivesse partido. Ao seguir adiante, foi possível encontrar a proa separada da parte central da embarcação, confirmando que o Tutoya se rompeu ao meio após o impacto do torpedo. Relatos de sobreviventes indicavam que o ataque atingiu a região próxima à cabine de comando, fazendo com que o navio se partisse antes de afundar.
No naufrágio, sete pessoas morreram. Para os pesquisadores, o local representa não apenas um sítio histórico, mas também um espaço de memória das vítimas que perderam a vida no episódio.
O Tutoya era um navio cargueiro a vapor construído em 1913 na Inglaterra. Ao longo dos anos, recebeu diferentes nomes até ser rebatizado como Tutoya em 1929, em homenagem a um município do Maranhão. Durante a Segunda Guerra Mundial, a embarcação seguia operando no transporte de cargas essenciais, como alimentos, medicamentos e outros suprimentos entre regiões do país. Na madrugada de um dia de 1943, o navio foi atingido por um submarino alemão que atuava na costa brasileira, mesmo após a embarcação se identificar.
De acordo com os pesquisadores, os destroços do Tutoya são considerados um sítio arqueológico subaquático. Por legislação, não é permitida a retirada de peças nem qualquer tipo de intervenção no local. As visitas ao navio têm caráter exclusivamente científico, histórico e contemplativo, com registros por meio de fotos e vídeos, sem interferência na estrutura original da embarcação.




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