Professora assassinada a facadas distribuiu chocolates e bilhetes motivacionais antes do crime
A professora Juliana Santiago foi assassinada por um aluno dentro de uma faculdade particular em Porto Velho, poucas horas depois de ter promovido uma atividade em sala de aula para motivar os universitários. A dinâmica incluiu a distribuição de chocolates e bilhetes com mensagens aos alunos e fazia parte do conteúdo da disciplina que abordava o tema prisões no Brasil.
De acordo com relatos de estudantes, antes da aula a professora enviou uma mensagem para a turma dando as boas vindas ao início do quinto período e convidando os acadêmicos para participar de um jogo de perguntas e respostas com questões jurídicas. A proposta era tornar a aula mais leve e interativa, com uma pequena premiação simbólica para os participantes que acertassem as respostas.
Durante a atividade em sala, Juliana entregou chocolates aos alunos que se destacaram no quiz e também repassou bilhetes com mensagens de incentivo. Uma das mensagens citava um versículo bíblico sobre vencer desafios. A atitude da professora chamou a atenção dos alunos pela forma acolhedora e motivacional com que conduzia as aulas.
Entre os estudantes que participaram da dinâmica estava João Cândido da Costa Junior, de 24 anos, apontado pela polícia como autor do crime. Colegas relataram que ele recebeu o chocolate entregue pela professora e chegou a cumprimentá la normalmente durante a aula.
Testemunhas afirmam que Juliana demonstrava empolgação com o início do semestre e chegou a comentar que pretendia tornar suas aulas mais atrativas, principalmente por ministrar a disciplina em um dia considerado mais cansativo pelos alunos. A professora era conhecida pelo envolvimento com a turma e pela tentativa de aproximar o conteúdo teórico da realidade dos estudantes.
O crime aconteceu na noite de sexta feira 6, após o término da aula. Segundo informações apuradas, o aluno aguardou a professora permanecer sozinha em sala e iniciou uma discussão. Em seguida, ele a atacou com golpes de faca. Juliana foi socorrida por alunos e levada ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu antes de receber atendimento médico.
Após o ataque, o suspeito tentou deixar o local, mas foi contido por um aluno que é policial militar. Ele foi preso em flagrante e encaminhado para a delegacia. A faca utilizada no crime foi apreendida.
A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio. Em depoimento, o autor alegou que mantinha um relacionamento com a vítima e que o crime teria sido motivado por questões pessoais. A versão apresentada não foi confirmada oficialmente pelas autoridades nem por familiares da professora.
Juliana Santiago tinha 41 anos, era escrivã da Polícia Civil e atuava como professora universitária na área de Direito Penal. A faculdade suspendeu as aulas por três dias em sinal de luto. O corpo foi liberado pelo Instituto Médico Legal e encaminhado para Salvador, na Bahia, onde acontece o velório e o sepultamento.




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