Alcides Bernal afirma que não queria matar e alega que imóvel foi invadido

Alcides Bernal afirma que não queria matar e alega que imóvel foi invadido

Na terça-feira (24), o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (sem partido), afirmou em depoimento à Polícia Civil que não teve a intenção de matar o fiscal tributário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. Ele disse que reagiu a uma suposta invasão no imóvel onde vive e mantém escritório, no Jardim dos Estados, e chamou a vítima de ‘cobra mandada’.

Segundo o Campo Grande News, o depoimento tem 21 minutos de duração e ocorreu horas após o caso, que terminou com a morte do servidor público na varanda da casa. A investigação aponta que Mazzini foi ao local com uma notificação extrajudicial de desocupação do imóvel, arrematado em leilão, acompanhado de um chaveiro.

Acompanhado de seus advogados Oswaldo Meza e Walquíria Menezes, Bernal afirmou que há disputa judicial envolvendo o leilão do imóvel e questionou a forma como a vítima tentou assumir a posse. ‘Quem arremata tem que buscar a Justiça. Não pode invadir, arrombar portão, porta e entrar. Eu não fui intimado do leilão nem da execução. Entrei com ação para anular isso’, disse.

O documento citado é uma notificação extrajudicial, datada de 20 de fevereiro de 2026, que estabelecia prazo de 30 dias para desocupação voluntária do imóvel, já expirado. O texto não tem força de ordem judicial de despejo, ou seja, não autoriza retirada forçada.

Durante o interrogatório, ele também criticou a atuação do fiscal e levantou suspeitas sobre a motivação da presença no local. ‘Ele não é ignorante. É cobra mandada. Uma pessoa que compra várias casas não faz isso por acaso. Pelo que eu soube, ele era fiscal, então sabia como funcionava’, afirmou.

Para a polícia, Bernal afirmou que recebeu aviso de uma empresa de monitoramento sobre o arrombamento. Ele disse que decidiu ir até o local por conta própria. ‘Eu fui informado que tinha gente arrombando a porta e adentrando na casa. Pedi para impedir e fui até lá. Quando cheguei, tinha um carro na garagem, o portão estava aberto e vi pessoas tentando arrombar a porta da sala’, declarou.

Segundo o ex-prefeito, havia mais de uma pessoa no imóvel no momento da chegada. ‘Vi três pessoas. Duas estavam forçando a porta. Um deles veio na minha direção e avançou. Eu me senti ameaçado’, afirmou.

O político disse que reagiu com dois disparos e que não pretendia matar. ‘Eu dei um tiro e depois outro, mas para acertar no chão ou na perna. Não foi para matar. Para mim, eu tinha acertado a perna. Ele caiu e tentou levantar’, declarou.

Ainda segundo o depoimento divulgado pelo Campo Grande News, ele afirma que agiu por reflexo diante do que considerou risco imediato. ‘Foi um reflexo de defesa. Ou ele tomava minha arma ou acontecia o que aconteceu. Eu estava sozinho e eles estavam em mais de um’, disse.

Após os disparos, o ex-prefeito afirmou que pediu socorro e procurou a polícia. ‘Eu pedi para ligarem para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) para socorrer a pessoa que estava caída. Depois fui à delegacia comunicar o fato e fiquei esperando’, afirmou.

O ex-prefeito também disse que não conhecia a vítima e que associou a presença dela a episódios anteriores no mesmo imóvel. ‘Eu nunca vi essa pessoa. Já registrei outras ocorrências por arrombamento e invasão nessa casa. Para mim, era mais uma situação dessas’, declarou.

Bernal destacou que possui porte de arma regular e explicou que adquiriu o porte após ameaças. ‘É um revólver calibre 38, registrado. Tenho desde 2013. Já sofri ameaças e por isso tenho’, disse.

A defesa, representada pelo advogado Wilton Acosta, reforçou que o ex-prefeito não teve intenção de matar e sustentou a versão de legítima defesa. Segundo os advogados, o radialista acreditava que havia causado apenas ferimentos. O caso segue em investigação. A Polícia Civil deve analisar imagens de câmeras de segurança da residência para esclarecer a dinâmica. Bernal permanece preso e deve passar por audiência de custódia nesta quarta-feira (25).

Imóvel: O imóvel, em terreno de 1.440 m² e com área construída de 678 m², avaliado em R$ 3,7 milhões, foi leiloado em 2025 por dívidas, com lance mínimo de R$ 2,4 milhões. Só em IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), são R$ 344 mil em pendências na casa em questão.