Novas Investigações sobre Óbitos Suspeitos de Chikungunya em Dourados
O Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), instituído pela Prefeitura de Dourados para liderar o combate à epidemia de Chikungunya na Reserva Indígena e a proliferação da doença no espaço urbano do município, confirmou nesta segunda-feira (27) que mais um óbito está sendo examinado como possivelmente relacionado à Chikungunya.
“Infelizmente temos uma nova morte suspeita e renovamos nosso apelo à população para que colabore no combate aos focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor desta grave enfermidade”, ressaltou Márcio Figueiredo, secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE. “Caso as pessoas não eliminem os pontos de água parada, enfrentaremos grandes desafios para vencer essa batalha”, acrescentou.
Com essa nova morte sob investigação, o total de óbitos em análise agora sobe para três, já sendo confirmadas 8 mortes pela pasta da saúde de Dourados. A nova vítima é um homem de 50 anos, de pele branca, que se encontrava hospitalizado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Ele apresentou os primeiros sinais da doença no dia 19 de abril e faleceu na manhã desta segunda-feira, dia 27 de abril.
Além do paciente que foi a óbito nesta data, a morte de uma criança indígena de 12 anos e de um paciente de 84 anos também segue em investigação. Segundo o Informe Epidemiológico divulgado nesta segunda-feira, Dourados conta atualmente com 42 pacientes internados diagnosticados com Chikungunya, distribuídos entre diferentes instituições: 3 no Hospital Porta da Esperança (Missão Caiuá), 21 no Hospital Universitário HU-UFGD, 3 no Hospital Cassems, 6 no Hospital Regional, 1 no Hospital Unimed, 2 no Hospital da Vida e 6 no Hospital Evangélico Mackenzie.
O Relatório Epidemiológico apresentado nesta segunda-feira pelo Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública indica que o município já recebeu 6.986 notificações, com 5.173 casos considerados prováveis e 2.468 confirmados de Chikungunya. Há também 1.813 casos que foram descartados e 2.705 que ainda estão sob investigação. Os dados referentes à Reserva Indígena revelam 3.045 notificações, com 2.406 casos prováveis e 1.461 confirmados, além de 639 descartados e 945 em investigação.
O documento também apresenta que a curva epidêmica de casos notificados, conforme mostrado no gráfico, reflete o progresso da Chikungunya ao longo das semanas epidemiológicas deste ano, totalizando 6.986 notificações. Apesar de uma diminuição nas semanas subsequentes, isso sugere que a epidemia ainda persiste. “A redução do número de casos notificados na semana 13 está provavelmente associada aos feriados”, ressalta o relatório. “Estamos na semana epidemiológica 17 e os números apresentados se referem ao acumulado da semana em curso”, conclui.
Os dados sobre a distribuição dos casos notificados entre as populações indígena e não indígena mostram que, entre as semanas epidemiológicas 10 e 12, houve predominância dos casos entre a população indígena, enquanto que a partir da semana 13 essa tendência se inverteu, com maior incidência na população não indígena, indicando que os casos agudos de Chikungunya estão ocorrendo, em sua maioria, na área urbana de Dourados.
A taxa de positividade da Chikungunya em Dourados permanece em níveis elevados (entre aproximadamente 58% e 69%) ao longo dos últimos 15 dias. “Apesar de uma leve redução, os índices permanecem muito acima dos parâmetros adequados em vigilância epidemiológica, indicando que a epidemia continua ativa”, alerta um trecho do relatório. “A taxa de positividade é um importante indicador da intensidade de transmissão, e valores elevados refletem uma maior circulação do agente infeccioso. Organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde, sugerem que taxas acima de 5% indicam transmissão não controlada, reiterando que os níveis observados no município são extremamente elevados e correspondem a um cenário epidêmico”, conclui.




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