Início da Campanha de Vacinação Contra Chikungunya em Dourados
O Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), instituído pela Prefeitura de Dourados para coordenar o combate à epidemia de Chikungunya tanto na Reserva Indígena quanto no perímetro urbano, dá início nesta segunda-feira (27) à campanha de vacinação contra o vírus. Esta ação integra as estratégias delineadas dentro do Plano de Ação de Incidente para o Enfrentamento da Chikungunya, um documento abrangente composto por 36 páginas que elenca um conjunto de medidas essenciais para frear o avanço da enfermidade.
Marcio Figueiredo, secretário municipal de Saúde e coordenador-geral do COE, esclarece que “nem todas as pessoas poderão receber a dose devido às contraindicações determinadas pelo Ministério da Saúde.” No dia 1º de maio, feriado em homenagem ao Dia do Trabalho, será realizada uma ação especial com um drive-thru de vacinação no pátio da Prefeitura de Dourados, no horário das 8h às 12h.
Em conformidade com as diretrizes estipuladas pelo Ministério da Saúde, a vacinação estará disponível apenas para indivíduos com idade superior a 18 anos e inferior a 60. O imunizante, desenvolvido pela farmacêutica Valneva em colaboração com o Instituto Butantan, visa a prevenção da doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti. A meta é que ao menos 27% da população-alvo (moradores de Dourados entre 18 e 59 anos) sejam vacinados, o que representa aproximadamente 43 mil pessoas.
A vacina, validada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em abril de 2025, será administrada de maneira estratégica em áreas de risco potencial de transmissão da doença nos próximos anos. Cerca de 20 municípios de seis estados estarão envolvidos, conforme o planejamento estabelecido em parceria com o Ministério da Saúde. A escolha dessas localidades levou em conta diversos fatores epidemiológicos, como a probabilidade de ocorrência de casos de Chikungunya em regiões onde o vírus já circula, além da densidade populacional e a viabilidade de implementação da nova vacina no sistema de saúde local em um curto espaço de tempo.
A segurança da vacina e sua eficácia em gerar anticorpos foram comprovadas em estudos clínicos realizados nos Estados Unidos e no Brasil, que foram publicados em revistas científicas internacionais. Nos EUA, aproximadamente 99% dos voluntários mostraram resposta imunológica com anticorpos neutralizantes.
As contraindicações da vacina seguem as orientações da bula aprovada pela Anvisa, abrangendo indivíduos com imunodeficiência, imunossupressão, hipersensibilidade aos componentes do imunizante, além de gestantes. Além do Brasil, a vacina já recebeu autorização para uso no Canadá, Reino Unido e Europa.
A Chikungunya é uma enfermidade viral transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e Zika. Ela geralmente provoca febre de início abrupto (superior a 38,5°C) e intensas dores nas articulações, além de dor de cabeça, dor muscular e erupções cutâneas. Em situações mais raras, o vírus pode afetar o sistema nervoso central, resultando em complicações neurológicas. O impacto principal da Chikungunya é a dor nas articulações, que pode se tornar crônica, persistindo por meses ou até anos. Sem um antiviral especificamente indicado, o tratamento envolve o uso de antitérmicos e analgésicos, além de repouso e hidratação.
Nos ensaios clínicos, a vacina apresentou boa tolerabilidade, com a maioria dos eventos adversos classificados como leves a moderados, e induziu uma resposta imunológica adequada após uma única dose.
A vacina contra Chikungunya possui contraindicações específicas, incluindo gestantes ou lactantes, indivíduos em tratamento com medicamentos imunossupressores (como corticóides em altas doses), pessoas com imunodeficiência congênita, em tratamento quimioterápico ou radioterápico, transplantados de órgãos sólidos, transplantes de medula óssea realizados há menos de dois anos, pacientes com HIV/Aids, e com doenças autoimunes como lúpus e artrite reumatóide. Além disso, é proibida a administração em pessoas que apresentaram Chikungunya nos últimos 30 dias; que estejam com febre alta; que tenham recebido outra vacina de vírus atenuado nos últimos 28 dias; ou que tenham sido vacinadas com vírus inativado nos últimos 14 dias.
O monitoramento da vacinação em regiões endêmicas, onde o vírus está presente, será crucial para avaliar a eficácia do imunizante – ou seja, sua capacidade de diminuir os casos da doença em cenários da vida real. Para tal, o Instituto Butantan acompanhará os registros de casos positivos e negativos de Chikungunya nos municípios participantes da estratégia, comparando os dados entre vacinados e não vacinados. É de suma importância que toda a população de Dourados esteja atenta aos sintomas da doença e busque atendimento em uma unidade de saúde caso apresente febre acompanhada de dor nas articulações e/ou dor no corpo. Essa vigilância auxiliará na detecção e acompanhamento adequado dos casos de Chikungunya.
O Instituto Butantan também conduzirá uma pesquisa de pós-comercialização para monitorar a segurança da vacina. Este estudo identificará gestantes que receberam a vacina sem saber que estavam grávidas ou que engravidaram nos primeiros 30 dias após a vacinação, acompanhando essas mulheres durante toda a gestação e no pós-parto.




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