MS mantém os índices de obesidade infantil em estabilidade e intensifica ações de prevenção

MS mantém os índices de obesidade infantil em estabilidade e intensifica ações de prevenção

O Dia da Conscientização contra a Obesidade Infantil, celebrado nesta quarta-feira (3), destaca um problema que afeta a saúde e o desenvolvimento de crianças em todo o Brasil. A obesidade infantil, associada a fatores como alimentação inadequada, diminuição da atividade física e o aumento dos comportamentos sedentários, não só eleva o risco de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, mas também compromete a qualidade de vida. Em face desse desafio, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) salienta a importância da prevenção e do monitoramento precoce como estratégias essenciais para assegurar o crescimento e o desenvolvimento saudáveis das crianças.

O primeiro passo para a identificação e prevenção da obesidade infantil é o acompanhamento regular do crescimento e do desenvolvimento nas unidades básicas de saúde. Através de uma avaliação antropométrica simples, que inclui a aferição de peso e altura, os profissionais conseguem determinar o estado nutricional da criança e monitorar possíveis alterações ao longo do tempo. Essas informações são registradas na Caderneta da Criança, que serve como uma ferramenta crucial para acompanhar a curva de crescimento, permitindo a detecção precoce de situações de sobrepeso e obesidade.

Quando são identificadas alterações, as equipes de saúde podem dar início a orientações e intervenções adequadas a cada caso. De acordo com o gerente de Alimentação e Nutrição da SES, Anderson Holsbach, o acompanhamento constante é vital para a promoção da saúde infantil. “A família desempenha um papel fundamental nesse processo. Ao levar a criança à unidade de saúde regularmente, é possível monitorar seu crescimento e desenvolvimento, identificando precocemente qualquer alteração no estado nutricional. Quanto mais cedo essa identificação ocorrer, maiores serão as chances de promover mudanças que beneficiem a saúde da criança”, explica.

Entre os fatores que contribuem para o aumento da obesidade infantil estão as mudanças no estilo de vida observadas nas últimas décadas. Se anteriormente as brincadeiras ao ar livre e a prática espontânea de atividades físicas eram parte integrante da rotina das crianças, hoje o tempo dedicado às telas ocupa uma parcela significativa do dia. Além disso, o fácil acesso a alimentos ultraprocessados tem impactado diretamente os hábitos alimentares. Produtos como biscoitos recheados, salgadinhos, refrigerantes e bebidas açucaradas possuem alta densidade calórica e baixo valor nutricional, favorecendo o ganho excessivo de peso. “Vivemos em um ambiente que muitas vezes dificulta escolhas saudáveis. O aumento do acesso aos alimentos ultraprocessados, o encarecimento dos alimentos in natura e minimamente processados, além de comportamentos cada vez mais sedentários, são fatores que configuram o chamado ambiente obesogênico, propício ao desenvolvimento da obesidade”, ressalta Holsbach.

O conceito de ambiente obesogênico também inclui fenômenos como desertos alimentares — áreas com escassa oferta de alimentos saudáveis —, pântanos alimentares, que se caracterizam pela grande disponibilidade de produtos ultraprocessados, e a diminuição de espaços urbanos destinados à prática de atividades físicas. Contudo, a prevenção deve ser iniciada nos primeiros anos de vida. O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de 2 Anos recomenda a não oferta de açúcar nessa faixa etária. Além disso, o aleitamento materno exclusivo até os seis meses, continuando de forma complementar até os dois anos ou mais, é reconhecido como um importante fator de proteção contra a obesidade infantil.

Segundo Anderson Holsbach, os hábitos cultivados dentro de casa têm influência direta sobre as escolhas alimentares das crianças. “As crianças aprendem por observação. Quando a família consome frutas, verduras e legumes regularmente, prepara as refeições em casa e valoriza os alimentos in natura, contribui para a formação de hábitos mais saudáveis. Incluir as crianças no preparo dos alimentos também fortalece essa relação positiva com a alimentação”, conclui.