Veterinária detida por incêndio em tentativa de extrair confissão sobre traição do marido
Na manhã de segunda-feira (22), uma discussão acirrada, impulsionada por ciúmes e suspeitas de infidelidade, quase acabou em uma tragédia no bairro Santa Luzia, em Campo Grande. Uma médica veterinária de 42 anos foi presa em flagrante pela Polícia Civil após jogar álcool e incendiar o próprio marido, um servidor público federal de 41 anos. O incidente foi testemunhado pelos filhos do casal, de 9 e 22 anos. A vítima sofreu queimaduras severas em cerca de 30% do corpo. Informações iniciais sugeriram que 80% do corpo do servidor havia sido atingido, mas o boletim de ocorrência corrigiu essa informação.
O homem foi socorrido e permanece intubado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Proncor. A suspeita deve passar por audiência de custódia nesta terça-feira (23) no Fórum Heitor Medeiros, onde o Poder Judiciário decidirá se ela responderá ao processo por tentativa de homicídio em liberdade ou se a prisão preventiva será decretada.
Durante seu depoimento aos investigadores na delegacia, a veterinária detalhou a sequência dos eventos, afirmando que a origem do conflito foi uma desconfiança sobre a conduta do marido no Distrito Federal. ‘Nós estávamos discutindo sobre a possibilidade de um relacionamento dele lá em Brasília e ele estava negando. Eu queria que ele me dissesse a verdade. Foi só por isso e nós retomamos a discussão exatamente nesse ponto’, argumentou a mulher.
Segundo a versão apresentada pela acusada, no calor da discussão, ela foi até a cozinha, pegou uma garrafa de álcool de limpeza e despejou o líquido na mochila do servidor, com a intenção de destruir seus pertences e forçá-lo a confessar. Ela afirmou que o álcool pode ter respingado acidentalmente nas roupas da vítima durante o movimento. De acordo com ela, o marido correu em direção à garagem para escapar da situação, e ela o seguiu levando um maço de cigarros e um isqueiro guardados no casaco. A veterinária negou ter intencionalmente direcionado a chama contra o corpo do companheiro. ‘Eu quis assustá-lo com o barulho do isqueiro, e ele não acendeu. E eu achei que não tinha acontecido nada; foi só depois que eu vi a camiseta dele mudando um pouco de cor. Foi então que tentei rasgar a camiseta dele para tirá-la’, declarou em depoimento.
Durante o incêndio, ambos entraram em luta corporal enquanto tentavam apagar as chamas. O servidor conseguiu remover a camiseta em chamas, e a filha do casal correu para abrir uma mangueira e jogar água nele. Após conter o fogo, a própria agressora colocou o marido no veículo da família e o levou a um hospital particular. Dada a necessidade de uma transferência para a ala de queimados do Hospital Proncor, ela pagou o transporte de uma ambulância privada para realizar o traslado do ferido.
Ao ser questionada pela equipe policial sobre o crime, a mulher chorou e expressou profundo arrependimento, reafirmando que seu intuito era apenas intimidá-lo. ‘Eu posso ter errado no sentido de ter usado esses métodos para colher a verdade dele, que eu achei que era o único jeito (…) se eu ameaçasse, talvez ele fosse ficar com medo e falar. Mas não era a minha intenção machucar’, concluiu. A defesa da suspeita mencionou no inquérito que a médica veterinária está em tratamento psiquiátrico por depressão e Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), e alegou que ela estava sem acesso aos seus medicamentos controlados há cerca de duas semanas, um fator que pode ter contribuído para seu descontrole emocional. O caso continua sob investigação pela Polícia Civil de Campo Grande.




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