Ex-militar é alvejado na cabeça em Campo Grande; confusão com irmão ligado ao PCC é a suspeita principal

Ex-militar é alvejado na cabeça em Campo Grande; confusão com irmão ligado ao PCC é a suspeita principal

Um ex-militar do Exército foi gravemente ferido na cabeça na noite de quarta-feira, 12, em Campo Grande, na região do Jardim Noroeste. A principal hipótese é que ele tenha sido confundido com seu irmão, de 47 anos, que já possui antecedentes criminais e teria sido membro do PCC (Primeiro Comando da Capital).

De acordo com o boletim de ocorrência, o irmão da vítima está atualmente em liberdade condicional e acredita-se que o ataque seja resultado de uma ordem dada por membros do Comando Vermelho, devido à sua associação anterior com a facção rival. No momento em que o atentado ocorreu, o ex-militar estava sentado de costas para o portão de uma residência. Relatos indicam que ele tem grande semelhança física com o irmão, o que pode ter levado à tragédia.

A vítima recebeu socorro imediato de sua cunhada e foi levada inicialmente ao CRS (Centro Regional de Saúde) Tiradentes. Devido à gravidade dos ferimentos, especialmente o tiro que atingiu sua cabeça e causou perda de massa encefálica, ele foi transferido para a Santa Casa de Campo Grande. Na manhã de quinta-feira (13), uma equipe de reportagem visitou o local do incidente. No quintal da casa, encontraram garrafas de cerveja, um carrinho de bebê e roupas jogadas ao chão, uma das quais estava manchada de sangue. Também havia marcas de sangue na calçada. Uma vizinha revelou que o ex-militar não residia naquele endereço, mas costumava frequentá-lo. Ela o descreveu como uma pessoa tranquila e trabalhadora.

Histórico criminal do irmão

Conforme investigação realizada pela reportagem, o irmão da vítima tem uma pena total de 31 anos e 4 meses e está em livramento condicional desde julho deste ano. Ele foi condenado por vários crimes, incluindo um homicídio qualificado em 1997, em Cuiabá (MT), quando disparou cinco vezes contra um cobrador de táxi-lotação após uma discussão. Quatro tiros atingiram a vítima pelas costas. Após o crime, ele fugiu para Campo Grande, mas foi preso e posteriormente transferido a Cuiabá, onde em 1998 recebeu uma sentença de 16 anos de prisão. Seu histórico criminal também inclui condenações por roubo e lesão corporal. Depois de cumprir parte da pena, progrediu para o regime semiaberto em 2017 e recebeu a liberdade condicional em 7 de julho de 2026, com condições impostas pela Justiça, como a comprovação de ocupação lícita e recolhimento à residência até as 20h.

Uso de documento do irmão

Adicionalmente, em 2017, o irmão da vítima foi flagrado utilizando o documento do ex-militar durante um furto em um supermercado atacadista no Bairro Coronel Antonino, em Campo Grande. Ele foi preso em companhia de outros dois homens após agredir um funcionário e tentar tomar a arma de um vigilante. Durante a ocorrência, foi baleado no pé e precisou do atendimento médico. Depois, confessou que usou o documento do irmão por este não ter antecedentes criminais. Pelo crime, ele foi denunciado e condenado a seis meses de detenção. A investigação sobre o atentado no Jardim Noroeste visa esclarecer as motivações por trás dos disparos e identificar os responsáveis pelo ataque.


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