Casas Bahia encerra atividades de 298 lojas, resultando na demissão de aproximadamente 1,9 mil empregados

Casas Bahia encerra atividades de 298 lojas, resultando na demissão de aproximadamente 1,9 mil empregados

Cerca de 1,9 mil funcionários das Casas Bahia foram demitidos após a empresa anunciar o fechamento de 298 lojas em meio à crise financeira enfrentada pelo grupo.

Os desligamentos ocorreram entre quinta e sexta-feira, e diversos trabalhadores relataram surpresa e emoção nas redes sociais.

Entre os funcionários demitidos está Edson Silva, de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. Ele trabalhava havia 21 anos na mesma unidade da empresa e contou que recebeu a notícia após participar de uma reunião na sexta-feira (14).

Em uma publicação nas redes sociais, Silva lamentou o desligamento e destacou a importância da empresa em sua trajetória profissional e pessoal.

Segundo ele, foi com o trabalho nas Casas Bahia que conseguiu sustentar a família, criar os filhos e construir sua vida. O ex-funcionário também publicou uma mensagem de despedida aos colegas, clientes e parceiros que fizeram parte dos 21 anos em que trabalhou na empresa.

Outros trabalhadores também compartilharam relatos semelhantes. Uma supervisora de mesa de crédito, que permaneceu quase 23 anos na companhia, afirmou que encerrou um ciclo marcado por aprendizados, desafios, conquistas e amizades.

O fechamento das unidades e as demissões acontecem após o Grupo Casas Bahia entrar com pedido de recuperação judicial no domingo (16), no Tribunal de Justiça de São Paulo.

A empresa informou à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que a recuperação judicial foi motivada pela deterioração das condições econômico-financeiras, citando fatores como juros elevados, restrição de crédito, aumento dos custos financeiros e pressão sobre o consumo.

No segundo trimestre de 2026, a companhia registrou prejuízo líquido contábil de R$ 10,1 bilhões. Desse valor, aproximadamente R$ 9,1 bilhões estão relacionados a efeitos considerados não recorrentes. O prejuízo ajustado foi de R$ 978 milhões, alta de 76,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.

A Casas Bahia informou ainda possuir R$ 17,3 bilhões em obrigações. Apesar das dificuldades, a empresa afirmou que pretende manter as operações durante o processo de recuperação judicial, com prioridade para os canais digitais, redução de estoques e avaliação da venda de ativos.

O pedido também envolve outras empresas do grupo, incluindo a ASAP Log, Cnova Comércio Eletrônico, Casas Bahia Tecnologia e a Indústria de Móveis Bartira.


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