Fraudes nas Redes Sociais: Falsos Anúncios do Desenrola Brasil Alerta Usuários

Fraudes nas Redes Sociais: Falsos Anúncios do Desenrola Brasil Alerta Usuários

Em um curto período de dois meses e meio, 544 anúncios fraudulentos vinculados ao programa Desenrola Brasil, implementado pelo governo federal, foram disseminados nas redes sociais, visando enganar os usuários. Esta informação foi revelada por um estudo conduzido pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (Netlab) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A pesquisa abrangeu as redes sociais geridas pela empresa Meta, incluindo Instagram, Facebook, WhatsApp, Threads e Messenger, além da Audience Network, onde a Meta veicula anúncios em aplicativos de terceiros. Os pesquisadores monitoraram essas plataformas entre 1º de abril e 14 de junho deste ano, constatando que as fraudes emanaram de 48 páginas distintas.

Destes, 34 páginas utilizaram o nome oficial do programa (Desenrola Brasil) para veicular 278 anúncios e enganar os usuários. Outras 15 páginas alegavam promover um programa governamental fictício denominado Libera Brasil, publicando 264 anúncios. Uma página ainda combinava os dois nomes para intensificar o golpe.

O Desenrola Brasil foi criado em 2023 com a finalidade de facilitar a renegociação de dívidas para os consumidores. Em maio deste ano, o governo lançou uma atualização do programa. De acordo com o Netlab, as fraudes associadas a anúncios falsos começaram logo após o lançamento da primeira versão, em 2023. Em julho daquele ano, o Ministério da Justiça ordenou a remoção dos anúncios fraudulentos, resultando em uma multa de R$ 9,3 milhões contra a Meta.

Ainda assim, os anúncios enganadores persistiram neste ano, especialmente após o lançamento da segunda versão do programa em maio, como observado pelo Netlab. O estudo revelou que 72% dos anúncios faz uso indevido do nome e da imagem do governo, além de marcas privadas como sites de notícias e instituições financeiras. Ademais, 19,1% dos anúncios direcionam para links que se fazem passar por canais oficiais do governo, enquanto 38,1% apresentam conteúdos gerados por inteligência artificial.

“As pessoas não estão cientes da quantidade de anúncios fraudulentos circulando nas redes sociais sem qualquer forma de fiscalização, filtro ou sistema de segurança. Isso torna o cenário cada vez mais perigoso, pois os usuários se deparam com anúncios legítimos e ilegítimos numa mesma plataforma, dificultando a distinção e aumentando a vulnerabilidade”, adverte Marie Santini, diretora do Netlab.

Os golpistas atraem usuários para seus sites fraudulentos, coletando informações pessoais sigilosas e direcionando as vítimas para conversas no WhatsApp, onde outras etapas do golpe são realizadas. O estudo destaca que os anunciantes fraudulentos utilizam estratégias manipulativas comuns em ataques desse tipo, como promessas financeiras irreais e um falso senso de urgência para promover cliques.

Marie Santini enfatiza que as plataformas digitais deveriam implementar sistemas de controle rigorosos que avaliassem a veracidade dos anunciantes e dos conteúdos dos anúncios. “É responsabilidade daquele que oferece o serviço garantir segurança e qualidade para o consumidor. E o que as autoridades públicas deveriam fazer para prevenir esses crimes? É essencial penalizar as plataformas”, afirma.

A Meta, por meio de uma nota, declarou que o combate a fraudes e golpes virtuais é uma prioridade. “Estamos intensificando nossos esforços com o uso de tecnologia de inteligência artificial, modelos de linguagem de grande escala (LLMs) e reconhecimento facial para detectar e remover conteúdos, aplicando políticas rigorosas e disponibilizando ferramentas de segurança e alertas”, informou.

Segundo a Meta, as denúncias de usuários sobre anúncios enganosos caíram mais de 50% entre meados de 2024 e o final de 2025. “Ano passado, removemos mais de 159 milhões de anúncios fraudulentos que violavam nossas políticas, sendo que 92% foram retirados antes de serem denunciados. Também desativamos 10,9 milhões de contas no Facebook e Instagram vinculadas a redes criminosas”, completou a empresa.

A Meta assegura que não tolera atividades fraudulentas ou que violem os Padrões da Comunidade ou de Publicidade, utilizando uma combinação de tecnologia e revisões humanas para identificar e remover conteúdo violador, incluindo os relacionados ao Desenrola Brasil. A empresa reafirma ainda que colabora e responde a requisições das autoridades brasileiras, sempre em conformidade com a legislação em vigor.