Mulheres e meninas são mais afetadas por desigualdade no acesso à água
Dados recentes da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico indicam que o Brasil avançou no acesso à água potável, mas ainda enfrenta desigualdades significativas, especialmente no saneamento básico e entre grupos sociais mais vulneráveis. De acordo com os dados, a maior parte da população brasileira possui acesso à água potável segura. No entanto, esse índice esconde disparidades importantes. Em áreas rurais, o acesso é menor, assim como nas regiões Norte e Nordeste. Também há diferenças quando analisado o recorte racial, com menor acesso entre a população não branca. No que se refere ao saneamento, pouco mais da metade da população conta com serviço adequado de esgotamento sanitário. Além disso, uma parcela significativa do esgoto gerado no país ainda não recebe tratamento, o que impacta diretamente a saúde pública, o meio ambiente e a segurança hídrica. A falta de acesso à água e ao saneamento afeta de forma mais intensa mulheres e meninas. Em muitos casos, são elas as responsáveis pela coleta de água e pelos cuidados domésticos, o que aumenta a sobrecarga de trabalho e as expõe a riscos sanitários e de violência. Segundo especialistas, essa realidade compromete a igualdade de gênero, pois limita o acesso à educação, à renda e a melhores condições de vida. Sem infraestrutura adequada, a desigualdade tende a se perpetuar. A gestão dos recursos hídricos também passa pelo protagonismo feminino. Mulheres desempenham papel fundamental na organização do uso da água, especialmente em comunidades mais vulneráveis, onde o acesso é precário. Além dos impactos sociais, a desigualdade no saneamento reflete diretamente no desenvolvimento econômico e educacional. Estudos apontam que crianças com acesso a saneamento básico permanecem mais tempo na escola, o que influencia positivamente suas oportunidades futuras. Diante desse cenário, especialistas defendem que políticas públicas voltadas à água, saneamento, meio ambiente e justiça social devem ser integradas, garantindo acesso universal e reduzindo desigualdades históricas no país.




Publicar comentário