Revisão do Mercado Eleva Expectativa de Inflação para 4,71% em 2023

Revisão do Mercado Eleva Expectativa de Inflação para 4,71% em 2023

A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que serve como a referência oficial da inflação no Brasil, foi ajustada de 4,36% para 4,71% para este ano. Essa estimativa foi divulgada no Boletim Focus desta segunda-feira (13), uma pesquisa semanal realizada pelo Banco Central (BC) que apresenta as expectativas das instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Com as tensões aumentadas devido ao conflito no Oriente Médio, essa projeção de inflação foi elevada pela quinta semana consecutiva, ultrapassando o intervalo da meta estipulada pelo BC. O Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu essa meta em 3%, tolerando uma variação de 1,5 ponto percentual, ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%. Em março, a alta nos preços dos transportes e da alimentação resultou em uma inflação oficial de 0,88% no mês, comparado a 0,7% em fevereiro. O IPCA acumulado nos últimos 12 meses ficou em 4,14%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para os anos de 2027, 2028 e 2029, as projeções também foram ajustadas, subindo de 3,85% para 3,91% em 2027, e mantendo estimativas de 3,6% e 3,5% para 2028 e 2029, respectivamente.

Para atingir a meta de inflação, o Banco Central utiliza a taxa Selic como seu principal instrumento de política monetária, atualmente fixada em 14,75% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Na última reunião, realizada no mês passado, foi aprovada uma redução unânime da taxa de 0,25 ponto percentual. Antes da intensificação do conflito no Irã, as expectativas eram de um corte mais abrangente, de 0,5 ponto percentual. A taxa Selic atingiu 15% ao ano, o maior nível desde julho de 2006, quando foi estabelecida em 15,25% ao ano. Entre setembro de 2024 e junho de 2025, a taxa foi elevada em sete ocasiões, mas permaneceu inalterada nas quatro reuniões subsequentes. Após esse prolongado período de estabilidade, havia sinais de um início de ciclo de redução; no entanto, dadas as incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio, o BC não descarta a possibilidade de reavaliar esse ciclo de queda, se necessário.

O próximo encontro do Copom para deliberar sobre a Selic ocorrerá nos dias 28 e 29 de abril. Nesta edição do Boletim Focus, a expectativa dos analistas para a taxa básica até o fim de 2026 se manteve em 12,5% ao ano. Para 2027 e 2028, a previsão é que a Selic seja diminuída para 10,5% ao ano e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa deve cair para 9,75% ao ano. A elevação da Selic tem como objetivo conter a demanda aquecida, o que reflete nos preços, já que juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança. Por outro lado, a redução da Selic tende a tornar o crédito mais acessível, impulsionando a produção e o consumo, o que pode atenuar o controle sobre a inflação e estimular a atividade econômica.

No que diz respeito ao PIB e à cotação do câmbio, as instituições financeiras mantiveram a previsão de crescimento da economia brasileira em 1,85% para este ano. Para 2027, a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) é de 1,8%, enquanto para 2028 e 2029, a expectativa é de uma expansão de 2% em ambos os anos. Em 2025, segundo o IBGE, a economia brasileira cresceu 2,3%, refletindo uma expansão em todos os setores, com destaque para o setor agropecuário, o que marca o quinto ano consecutivo de crescimento.

Na edição atual do Focus, a previsão da cotação do dólar é de R$ 5,37 ao final deste ano, e espera-se que, até o fim de 2027, a moeda norte-americana alcance R$ 5,40.