Samu Indígena Intensifica Atendimentos Durante Epidemia de Chikungunya em Dourados
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Dourados tem exercido uma função vital no combate à epidemia de chikungunya, operando de forma constante em todas as áreas do município.
Destaque especial vai para o Samu Indígena, instituído na gestão do prefeito Marçal Filho em 2025, que tem se mostrado um aliado poderoso nesta luta, pois a maioria dos casos positivos se concentra na Reserva Indígena. As equipes atuam seguindo critérios técnicos e clínicos rigorosos, realizando atendimentos sob regulação médica e priorizando a gravidade dos casos.
Com o aumento do número de síndromes febris relacionadas à doença, a demanda por orientações médicas e transferências interunidades disparou, especialmente em casos oriundos do Hospital da Missão. Assim, a coordenação com a rede local de saúde ficou ainda mais relevante, incluindo suporte na Escola Tengatui.
Dados do primeiro trimestre de 2026 revelam o impacto profundo do cenário epidemiológico no serviço, com o SAMU registrando 10.730 ligações de 1º de janeiro a 31 de março. Dessas, 7.293 chamadas (cerca de 68%) vieram de Dourados. O mês de março foi o mais crítico, com 4.367 chamadas, refletindo um aumento aproximado de 30% na média diária em comparação aos meses anteriores — saltando de cerca de 106 e 109 ligações/dia em janeiro e fevereiro para aproximadamente 141 ligações/dia.
Esse crescimento está diretamente relacionado ao avanço das síndromes febris, com 19 confirmações de chikungunya atendidas pelo serviço até o momento. É importante lembrar que, na Reserva Indígena, já são 1.264 casos confirmados da doença. Apesar do aumento significativo na demanda, o SAMU destaca que nem todas as ligações resultam no envio de viaturas, pois muitos casos são solucionados com orientação médica, o que assegura uma utilização eficiente dos recursos disponíveis.
“Esse aumento é consequência direta do cenário epidemiológico e temos priorizado as necessidades da população. Mesmo ao receber um chamado que demande deslocamento, se a viatura do Samu Indígena estiver ocupada, enviamos uma outra na mesma hora, sem distinções”, explica o coordenador do Samu, médico Otávio Miguel Liston.
Um ponto que merece atenção são os trotes, que, embora representem apenas 0,36% das chamadas (39 registros), impactam negativamente o funcionamento da Central de Regulação, podendo atrasar atendimentos reais. O SAMU enfatiza a importância do uso responsável do número 192.
Ademais, as equipes seguem protocolos do Ministério da Saúde, utilizando uma classificação de risco que considera sinais de gravidade, como dor intensa, desidratação e a existência de comorbidades, além de prestar atenção especial a pacientes idosos. Casos mais leves são frequentemente direcionados à Atenção Básica, enquanto situações mais críticas recebem prioridade no atendimento.
Por determinação da prefeitura de Dourados, via Secretaria Municipal de Saúde, foram incrementadas orientações operacionais internas e estabelece-se um alinhamento contínuo com diretrizes focadas nas arboviroses. O cenário atual ressalta a importância dessa atuação.
O Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), instituído pela Prefeitura de Dourados para coordenar os esforços no combate à epidemia, confirmou esta semana a sexta morte por chikungunya na cidade. A vítima, um homem de 55 anos, estava internado no Hospital da Missão Caiuá desde o dia 1º de abril e faleceu no dia 3 devido a complicações causadas pela doença. Outras duas mortes seguem em investigação, incluindo a de uma criança de 10 anos.
Nas aldeias indígenas, a situação permanece crítica, com 1.780 casos prováveis, 1.264 confirmações, 444 descartes e 516 ainda sob investigação, totalizando 2.224 notificações e 246 atendimentos hospitalares. Diante desse quadro, o Samu Indígena se mantém como um serviço essencial na resposta à crise, garantindo atendimento ágil e de qualidade à população.




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